“Por mim, por nós, pelas outras[1]...”
Andréa Lima[2]
O dia 25 de Novembro[3] marca o assassinato brutal das Irmãs Mirabal. Não é difícil imaginar a vida de uma família vivendo na zona rural em Salcedo, província da República Dominicana. Quando o ditador Rafael Trujilo chegou ao poder, a família das irmãs Mirabal perdeu a casa e o dinheiro que possuía.
Andréa Lima[2]
O dia 25 de Novembro[3] marca o assassinato brutal das Irmãs Mirabal. Não é difícil imaginar a vida de uma família vivendo na zona rural em Salcedo, província da República Dominicana. Quando o ditador Rafael Trujilo chegou ao poder, a família das irmãs Mirabal perdeu a casa e o dinheiro que possuía.
A certeza de que seu país seria mergulhado num caos econômico político e social motivou as irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa a formar um grupo de oposição ao regime ditatorial. Nascia,assim, “Las Mariposas”, como ficou conhecido o grupo das três irmãs.
A ditadura sangrenta de Trujilo, perseguiu, prendeu e torturou inúmeras vezes “as mariposas”. Donas de uma “força que nos alerta”, que “nunca seca” as irmãs Mirabal não se intimidaram e continuaram na luta. Era preciso, pelo bem da ditadura, silenciá-las. No dia 25 de novembro de 1960 “Las Mariposas” foram levadas para uma plantação de cana-de-açúcar e foram apunhaladas e estranguladas. Em fim, o silêncio necessário... Não se ouvia mais as vozes das três mulheres exigindo o fim do regime e o fim da opressão. Daí por diante, eram muitas vozes de muitas mulheres. O crime cujo objetivo era sufocar a oposição causou forte comoção popular e em 1961, Rafael Leónidas Trujilo tombou assassinado.
Hoje é o Dia Internacional da não violência contra a mulher. Violências que são praticadas dia-a-dia nos espaços públicos e privados. O dia é de luta, de indignação e reflexão. Em Pernambuco, só neste ano, foram assassinadas 268 mulheres. O encrudescimento da violência contra a mulher é constitutivo do acirramento das múltiplas expressões da questão social e da desigualdade marca constitutiva da sociabilidade do capital. São Marias, Pátrias, Minervas, Teresas, são muitos nomes, muitos rostos nesta trágica estatística.
Um dia desses lendo o jornal local, uma crônica de um jornalista me chamou atenção, mais que isso, aflorou em mim, revolta. A crônica perguntava por onde andava Fátima. Moradora das ruas do centro da cidade, Fátima era uma transeunte conhecida, pedinte, sobrevivente. Lembro de Fátima, mulher, negra e pobre, demasiadamente oprimida e explorada nesta sociedade racista, sexista, homofóbica e desigual. A crônica informava que Fátima foi acusada por um comerciante de ter praticado um pequeno furto.
Na ausência do Estado de direito, o povo faz suas próprias leis, seus códigos, tribunais. Julgada, Fátima foi amarrada num pára-choque de um automóvel e arrastada por alguns metros para todo mundo ver, presenciar mais um ato da barbárie e da prática de desumanização tão corriqueira e usual nestes dias em que a liberdade, a justiça e o humano vão perecendo. Depois desse episódio, Fátima sumiu das ruas do centro, informava a crônica de Osair Vasconcelos.
Cada uma de nós - em nossa singularidade e diversidade - temos uma história para contar sobre as formas de violência que nos atravessam e aviltam. Violências alimentadas pela herança do patriarcado. São números preocupantes que nos põem em estado de alerta, em permanente estado de tensão, pavor, nos chamando para a organização coletiva. Hoje, 25 de novembro é dia de luta pela não violência contra a mulher! Que a poesia de Gonzaguinha e a força das mariposas ecoem nestes dias nublados e alvoreça na nossa luta: “ay mi pequena florecita liberdal mariposa, vem a volar em nuestro jardim tropical, trae de nuevo la luz y el calor de um tiempo de sol...”.
[1] Frase da campanha do dia 25 de Novembro de 2008 do Fórum de Mulheres de Pernambuco
[2] Assistente Social e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPE.
[3] Esta data homenageia as Irmãs Mirabal e foi aprovada no primeiro encontro feminista da América latina e Caribe, realizado em Bogotá, em 1981. A ONU só reconheceu este dia de luta dezoito anos mais tarde.
[2] Assistente Social e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPE.
[3] Esta data homenageia as Irmãs Mirabal e foi aprovada no primeiro encontro feminista da América latina e Caribe, realizado em Bogotá, em 1981. A ONU só reconheceu este dia de luta dezoito anos mais tarde.
















