terça-feira, 25 de novembro de 2008

25 DE NOVEMBRO - DIA INTERNACIONAL DA NÃO VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

“Por mim, por nós, pelas outras[1]...”

Andréa Lima[2]

O dia 25 de Novembro[3] marca o assassinato brutal das Irmãs Mirabal. Não é difícil imaginar a vida de uma família vivendo na zona rural em Salcedo, província da República Dominicana. Quando o ditador Rafael Trujilo chegou ao poder, a família das irmãs Mirabal perdeu a casa e o dinheiro que possuía.

A certeza de que seu país seria mergulhado num caos econômico político e social motivou as irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa a formar um grupo de oposição ao regime ditatorial. Nascia,assim, “Las Mariposas”, como ficou conhecido o grupo das três irmãs.
A ditadura sangrenta de Trujilo, perseguiu, prendeu e torturou inúmeras vezes “as mariposas”. Donas de uma “força que nos alerta”, que “nunca seca” as irmãs Mirabal não se intimidaram e continuaram na luta. Era preciso, pelo bem da ditadura, silenciá-las. No dia 25 de novembro de 1960 “Las Mariposas” foram levadas para uma plantação de cana-de-açúcar e foram apunhaladas e estranguladas. Em fim, o silêncio necessário... Não se ouvia mais as vozes das três mulheres exigindo o fim do regime e o fim da opressão. Daí por diante, eram muitas vozes de muitas mulheres. O crime cujo objetivo era sufocar a oposição causou forte comoção popular e em 1961, Rafael Leónidas Trujilo tombou assassinado.

Hoje é o Dia Internacional da não violência contra a mulher. Violências que são praticadas dia-a-dia nos espaços públicos e privados. O dia é de luta, de indignação e reflexão. Em Pernambuco, só neste ano, foram assassinadas 268 mulheres. O encrudescimento da violência contra a mulher é constitutivo do acirramento das múltiplas expressões da questão social e da desigualdade marca constitutiva da sociabilidade do capital. São Marias, Pátrias, Minervas, Teresas, são muitos nomes, muitos rostos nesta trágica estatística.
Um dia desses lendo o jornal local, uma crônica de um jornalista me chamou atenção, mais que isso, aflorou em mim, revolta. A crônica perguntava por onde andava Fátima. Moradora das ruas do centro da cidade, Fátima era uma transeunte conhecida, pedinte, sobrevivente. Lembro de Fátima, mulher, negra e pobre, demasiadamente oprimida e explorada nesta sociedade racista, sexista, homofóbica e desigual. A crônica informava que Fátima foi acusada por um comerciante de ter praticado um pequeno furto.

Na ausência do Estado de direito, o povo faz suas próprias leis, seus códigos, tribunais. Julgada, Fátima foi amarrada num pára-choque de um automóvel e arrastada por alguns metros para todo mundo ver, presenciar mais um ato da barbárie e da prática de desumanização tão corriqueira e usual nestes dias em que a liberdade, a justiça e o humano vão perecendo. Depois desse episódio, Fátima sumiu das ruas do centro, informava a crônica de Osair Vasconcelos.
Cada uma de nós - em nossa singularidade e diversidade - temos uma história para contar sobre as formas de violência que nos atravessam e aviltam. Violências alimentadas pela herança do patriarcado. São números preocupantes que nos põem em estado de alerta, em permanente estado de tensão, pavor, nos chamando para a organização coletiva. Hoje, 25 de novembro é dia de luta pela não violência contra a mulher! Que a poesia de Gonzaguinha e a força das mariposas ecoem nestes dias nublados e alvoreça na nossa luta: “ay mi pequena florecita liberdal mariposa, vem a volar em nuestro jardim tropical, trae de nuevo la luz y el calor de um tiempo de sol...”.
[1] Frase da campanha do dia 25 de Novembro de 2008 do Fórum de Mulheres de Pernambuco

[2] Assistente Social e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPE.
[3] Esta data homenageia as Irmãs Mirabal e foi aprovada no primeiro encontro feminista da América latina e Caribe, realizado em Bogotá, em 1981. A ONU só reconheceu este dia de luta dezoito anos mais tarde.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dia nacional da Consciência Negra

Zumbi
(a felicidade guerreira)
Waly Salomão

Zumbi, comandante guerreiro
Ogunhê, ferreiro-mor capitão
Da capitania da minha cabeça
Mandai a alforria pro meu coração

Minha espada espalha o sol da guerra
Rompe mato, varre céus e terra
A felicidade do negro é uma felicidade guerreira
Do maracatu, do maculelê e do moleque bamba

Minha espada espalha o sol da guerra
Meu quilombo incandescendo a serra
Tal e qual o leque, o sapateado do mestre-escola de samba
Tombo-de-ladeira, rabo-de-arraia, fogo-de-liamba

Em cada estalo, em todo estopim, no pó do motim
Em cada intervalo da guerra sem fim
Eu canto, eu canto, eu canto, eu canto, eu canto, eu
canto assim:

A felicidade do negro é uma felicidade guerreira!
A felicidade do negro é uma felicidade guerreira!
A felicidade do negro é uma felicidade guerreira!

Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu grande terreiro, meu berço e nação
Zumbi protetor, guardião padroeiro
Mandai a alforria pro meu coração

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

"As potiguares são iguais, mas de potes diferentes..."






Muralha


Marize Castro



Porque me abasteci, estou de volta.
Trago comigo coisas abandonadas.
Coisas que os homens jogaram fora:
placentas, gânglios, guirlandas, guelras.
Retorno alimentada.
Perigosa. Mais mar. Mais aberta.
Hoje descobri que quando estou dormindo
Deus segura minha mão e a leva para seu rosto.
Para Ele sou mulher e menina.
Para o mundo sou silêncio e desordem. Lassidão e rumor.
Uma muralha que sempre desejou ser flor.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008



Inexistência

(Andréa Lima)

Sou eu o verso,
As costas,
A derme,
O avesso,
O convexo,
O inverso,
O miolo,
As vísceras,
O fundo,
A outra página,
As entrelinhas,
O cadafalso,
A polpa,
A raiz,
Não me mostro.
Eu o invisível,
O quase nada,
A sombra,
O útero,
Nunca apareço,
Sou uma linha hemisférica,
Uma lufada que gira o cata-vento
a divagação do poeta,
sou aquele branco que dá na mente
e que busca avidamente
pelas lembranças entre os neurônios.
Eu sou o mar com sua fundura abissal
e suas anêmonas estranhas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Todo dia perdemos coisas, gente, sentimentos...




Uma arte
Elizabeth Bishop




A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas
com o molde da perda
que o perdê-las não traz desastre.

Perca algo a cada dia.
Aceita o susto de perder chaves,
e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.


Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias ir.
Nenhuma perda trará desastre.
Perdi o relógio de minha mãe.
A última, ou a penúltima,
de minhas casas queridas foi-se.
Não tarda aprender, a arte de perder.
Perdi duas cidades, eram deliciosas.
E, pior, alguns reinos que tive, dois rios, um continente.
Sinto sua falta, nenhum desastre.
- Mesmo perder-te a ti
(a voz que ria, um ente amado),
mentir não posso.
É evidente: a arte de perder muito não tarda aprender,
embora a perda - escreva tudo! - lembre desastre.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

"Antes de ser mulher, sou inteira poeta..."


Penso linhos e ungüentos
Hilda Hilst

Penso linhos e ungüentos
para o coração machucado de Tempo.
Penso bilhas e pátios
Pela comoção de contemplá-los.(E de te ver ali
À luz da geometria de teus atos)
Penso-te
pensando-me em agonia.
E não estou.
Estou apenas densa
Recolhendo aroma, passo
o refulgente de ti que me restou.

domingo, 9 de novembro de 2008

"El peor enemigo de las mujeres es su abnegación"


Tamara Lempicka era rica, bela, ousada, boêmia, talentosa, declaradamente bissexual e uma grande artista. A figura feminina aparce nas telas de Lempicka de uma forma única. Musa da art decó foi amiga de Greta Garbo, Picasso, Jean Cocteau, André Guide, entre outras personalidades. Conhecer a vida e a obra de Tamara Lempicka é um imperativo para nós mulheres. A arte é humana/universal e se a história de toda uma sociedade (marcadamente patriarcalista e sexista) nos renegou, nos escondeu e nos condenou ao restritivo mundo do "lar", precisamos saber de Tamara, Chiquinha Gonzaga, Nísia Floresta, Frida khalo, Ana Cristina Cesar etc, pois como afirmou Betty Friedan "nenhuma mulher alcança o orgasmo polindo o chão da cozinha" .

sábado, 8 de novembro de 2008

Sai desse "pleno"...



Ausência
Carla Dias

Bebi... sim...
de gole em gole,
refrescou-se o silêncio com a balbúrdia
da tua sofisticada ausência.
Enveredou-se pela trilha estreita,

Gritando,voluptuosidade ao inverno e ao sol que gela.
Pouco a pouco, reviram-se papéis sobre a mesa na hora do jantar.
Palavras sobrevoam a fome latente.
Parece bonito, mas quase arde.
Lentamente, sedas se arrastam pelo chão da tua ausência.
Assim como meu corpo, cravado em dúvidas,
no sofá, retrata nosso momento fatal.
Não me traga um rosto quase pálidode vida.

Traga-me o perfume engarrafado no teu sorriso.
Assim a ausência passa
e com ela o grande perigo.
Perder...



P.S: Ei volta logo...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

"Eu que não sei quase nada do mar..."
















Diante do mar

Alfonsina Storni


(...) Empobreci porque entender aflige,
empobreci porque entender sufoca,
abençoada seja a força da rocha!


Eu tenho o coração como a espuma.
Mar, eu sonhava ser como tu és,
além nas tardes em que a minha vida
sob as horas cálidas se abria...

Ah, eu sonhava ser como tu és.
Olha para mim, aqui, pequena, miserável,
com toda a dor que me vence, com o sonho todos;
mar, dá-me, dá-me o inefável empenho
de tornar-me soberba, inacessível.


Dá-me o teu sal, o teu iodo, a tua ferocidade,
Ar do mar!... Oh, tempestade! Oh, enfado!
Pobre de mim, sou um recife e morro, mar,
sucumbo na minha pobreza.


E a minha alma é como o mar, é isso,
ah, a cidade apodrece-a engana-a;
pequena vida que dor provoca,
quem me dera libertar-me do seu peso!


Que voe o meu empenho, que voe a minha esperança...
A minha vida deve ter sido horrível,
deve ter sido uma artéria incontívele
é apenas cicatriz que sempre dói.










quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Eu e Ana...

19 de abril
(Ana Cristina Cesar)


"Era noite e uma luva de angústia me afagava o pescoço.
Composições escolares rodopiavam,
todas as que eu lera e escrevera
e ainda uma multidão herdada de mamãe.
Era noite e uma luva de angústia...
Era inverno e a mulher sozinha...
Escureciam as esquinas e o vento uivando...
Saí com júbilo escolar nas pernas,
frases bem compostas de pornografia pura,
meninas de saiote que zumbiam nas escadas íngremes.
Galguei a ladeira com caretas,
antecipando o frio
e os sons eróticos povoando a sala esfumaçada".

P.S: quando estou estudando penso em cada coisa...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Como diz Chaplin "a beleza existe em tudo..."







Paixão

(Andréa Lima)

E essa coisa que me come...
Almoça-me, me janta, me toma de um gole só
num banquete antropofágico, insaciável,
teatral, beligerante.
Essa coisa que me inflama,
parte, despedaça e feita esfinge me devora intera:
braço, trapos, boca, vísceras, alma, palavras.
Coisa que faz moer, roer unhas, lamber, morder,
e faz doer e dar prazer
num contradito infinito.
Tudo em nós é demasia, ambíguo, tocante, vicejante.
As ausências, as demoras,
a lascívia, o enredo,
o medo, a farsa, o sonho, o segredo,
o conto de fadas, as porções de bruxa,
e essa discrepante poesia feita de letras, (in) diferenças,
amor-perfeito e fantasias.
P.S: Ei quando a noite cair vamos ouvir "sinais de fogo"?



Sonhe com a poesia do Neruda...


Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforesce a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.
Define-se a névoa em dançantes figuras.

Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.

Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.
Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.

Estou a amar-te ainda
entre estas frias coisas.

As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.
Já me creio esquecido como estas velha âncoras.

São mais tristes os portos ao atracar da tarde. Cansa-se minha vida
inutilmente faminta..

Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.
Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.

Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.
Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.

E como eu te amo, os pinheiros no vento, querem cantar o teu
nome, com suas folhas de cobre.


(Pablo Neruda)





domingo, 2 de novembro de 2008

Hoje é domingo pede cachimbo ou Pé de cachimbo?


é realmente domingo, dia de ficar em casa, solta, leve, out... Ziraldo acabou com a minha infância quando escreveu no livro "A professora maluquinha" que o domingo "pedia" cachimbo... Eu sempre cantarolava esta música infantil imaginando um "pé" enorme de cachimbo, que brotavam das copas cachimbos de todo tipo desde o cachimbo do Saci-Pererê ao clássico artefato de Sir Sherlock Holmes... O verbo "pedir" revelado por Ziaral foi um banho de água fria na fantasia... Moral da história: fui "adultizada".

Veneno


Tudo demais é veneno
A paixão, a dor de cotovelo, a saudade,
A complacência, a mediocridade,
O açúcar, o sal, o sol, o arsênico.
Tudo demais é veneno,
A ausência, indiferença,
a nossa parecença,
suas piadas, lágrimas, seus constantes adeus.
Tudo em você me envenena,
Beijo, desejo, ciúme, juras, avesso, mentiras,
pêlos, máscaras, risadas.
Tudo demais é veneno, chumbo, mercúrio,
palavras, poesias, cantadas,
o sentimento, o vácuo,
o sexo, pecado, o recato, a cicuta, o pudor.
Tudo demais é veneno,
o vinho, a erva e até o desamor.
Tudo em demasia é veneno,
traição, najas, atropa beladona, cianureto,
mandioca-brava, raiva, rancor,
o meu copo de silêncio,
e agora –
um último suspiro e as ultimas palavras...
Viva o torpor!!!

(Andréa Lima)

sábado, 1 de novembro de 2008

A suplicante








Para Camile Claudel


As mãos esculpiam a singeleza das formas,
o pesar, a discrepância entre o amor e o abandono,
os dedos ágeis modelavam formas perfeitas,
sensíveis, modelava a tristeza
através do contorno de sua alma latente.

Ornamentos, pedras polidas,
sentimentos, paixão, loucura,
o que esculpiste se não teu próprio
monólito?
Entornaram tua arte em tinas
de lama viscosa,
presa as argamassas moralista e pudica
de uma época fria,
vi a expressão plástica da tua agonia.

Em páginas de livro e viagens insólitas
pela imaginação presenciei tua exposição,
tua solidão, o ódio, tua loucura forçada,
teus medos, ilusão, teu desengano...
Estavam todos expostos
em redomas de vidro,
e mesmo assim, ouvi teu pranto,
nas miniaturas de bronze,
gigantescas lágrimas de mármore,
obra artística profunda, acabada, pungente,
quebraste o fio condutor de tua vida,
restaram poucas esculturas de uma grande dor...
(Andréa Lima)





"Todos discutem minha arte e
fingem compreender, como se fosse necessário compreendê-la, quando é
simplesmente necesssário amar."
(Monet)

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Ufa!!!!!


"Desespero é procurar papel e caneta
quando a poesia se inquieta
e vai se escrevendo por dentro de mim
E vou perdendo o fio das palavras
que se desenrolam num novelo
sem fim"
(Andréa Lima)

Bocas



Para o “Bocão” que principia liberdade

A boca fala
Beija boca
Morde lábios
Quebra o silêncio.
A boca tem pés de vento
Corre com palavras,
Voa a esmo,
Com destino,
Entope-se de estradas,
caminhos, delícias, dormências...
A boca come,
cospe fogo,
bebe um trago,
engole sapos,
gente.
A boca se pinta,
desnuda-se,
mostra seu íntimo:
língua, gengivas, desejos,
salivas.
A boca se delineia,
se movimenta, se articula, protesta,
luta, se arma até os dentes.
A boca ama,
sofre,
enamora-se,
se perpetua no corpo, na memória,
como sangram essas bocas!
E elas constroem...
Destroem....
Seduzem...
Induzem...
Boca da história,
Boca de mulher,
Boca da poesia.
Bocas de senhoras, meninas, ninfas, bruxas
Somos assim a bela palavra, o palavrão
Somos o som que cresce nos sulcos da pele,
nos pulmões, nos músculos da vontade, indignação:
viva a boca que grita por alforria!

(Andréa Lima)

"Toda sexta-feira toda roupa é branco..."






A poesia ainda está assim:
destrambelhada, literatura desenfreada...

Quer viver de pecado, vitórias,
orgasmos, histórias, causos.

Quer deitar sorridente na grama

e contar formigas.
A poesia hoje está armada das flores de Abril,

dos cravos de Portugal, do verde Brasil.

Ai, como essa poesia sente, tão doida, sofrida,
esquartejada, abstrata,
concreta, já não sabe de nada.

É navalha,trincheira, brejeira, antropofágica,
tragicamente moderna, é toda clichê, uma
metanarrativa já bem gasta, esgoatada,
exausta, magoada de tanto amor...
(Andréa Lima)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Fragmentos...

hoje a poesia está
confusa,
difusa,
dispersa,
verborrágica,
melodramática, mexicana.
quer falar de amor, de juras,
de rezas, benzeduras, do povo,
do ovo de Colombo,
quer falar de vento, catavento, mãe
d'água, girassol,
quer falar de sol, de manhãs...

primeiro utensílio

É a primeira vez que escrevo em um blog ou melhor que invento um blog. Adoro criar, fantasiar, moldar, escrever. Mas sinceramente... Não tenho nada para dizer na primeira página.
O que devo escrever aqui? Fantasias? Metáforas? Alegorias? Mentiras? Verdades tendenciosas? Poesia? Teoria, teoremas, Pitágoras? Contos? Crônicas do cotidiano? O meu itinerário? Minhas cartas marítimas para dentro de mim? Você quer prosseguir?