sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Ufa!!!!!


"Desespero é procurar papel e caneta
quando a poesia se inquieta
e vai se escrevendo por dentro de mim
E vou perdendo o fio das palavras
que se desenrolam num novelo
sem fim"
(Andréa Lima)

Bocas



Para o “Bocão” que principia liberdade

A boca fala
Beija boca
Morde lábios
Quebra o silêncio.
A boca tem pés de vento
Corre com palavras,
Voa a esmo,
Com destino,
Entope-se de estradas,
caminhos, delícias, dormências...
A boca come,
cospe fogo,
bebe um trago,
engole sapos,
gente.
A boca se pinta,
desnuda-se,
mostra seu íntimo:
língua, gengivas, desejos,
salivas.
A boca se delineia,
se movimenta, se articula, protesta,
luta, se arma até os dentes.
A boca ama,
sofre,
enamora-se,
se perpetua no corpo, na memória,
como sangram essas bocas!
E elas constroem...
Destroem....
Seduzem...
Induzem...
Boca da história,
Boca de mulher,
Boca da poesia.
Bocas de senhoras, meninas, ninfas, bruxas
Somos assim a bela palavra, o palavrão
Somos o som que cresce nos sulcos da pele,
nos pulmões, nos músculos da vontade, indignação:
viva a boca que grita por alforria!

(Andréa Lima)

"Toda sexta-feira toda roupa é branco..."






A poesia ainda está assim:
destrambelhada, literatura desenfreada...

Quer viver de pecado, vitórias,
orgasmos, histórias, causos.

Quer deitar sorridente na grama

e contar formigas.
A poesia hoje está armada das flores de Abril,

dos cravos de Portugal, do verde Brasil.

Ai, como essa poesia sente, tão doida, sofrida,
esquartejada, abstrata,
concreta, já não sabe de nada.

É navalha,trincheira, brejeira, antropofágica,
tragicamente moderna, é toda clichê, uma
metanarrativa já bem gasta, esgoatada,
exausta, magoada de tanto amor...
(Andréa Lima)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Fragmentos...

hoje a poesia está
confusa,
difusa,
dispersa,
verborrágica,
melodramática, mexicana.
quer falar de amor, de juras,
de rezas, benzeduras, do povo,
do ovo de Colombo,
quer falar de vento, catavento, mãe
d'água, girassol,
quer falar de sol, de manhãs...

primeiro utensílio

É a primeira vez que escrevo em um blog ou melhor que invento um blog. Adoro criar, fantasiar, moldar, escrever. Mas sinceramente... Não tenho nada para dizer na primeira página.
O que devo escrever aqui? Fantasias? Metáforas? Alegorias? Mentiras? Verdades tendenciosas? Poesia? Teoria, teoremas, Pitágoras? Contos? Crônicas do cotidiano? O meu itinerário? Minhas cartas marítimas para dentro de mim? Você quer prosseguir?