Chuvas de mim
(Andréa Lima)
Aqui o dia está parcialmente nublado,
Com pancadas de chuva no decorrer do período
As poesias estão acinzentadas,
Sem endorfinas,
Desbotadas,
Sem política, estética, métrica, nada.
Queria escrever sol, mas soletro tem-pes-ta-des,
Pelo menos a água me lava,
Lavra-me de orvalhos,
Encharca as minhas fendas e abismos.
Hoje, dia 15 de maio não tem poema, não tem homenagem,
palestras, nem fantasia, nem fotografia.
E fico só com os livros, lápis colorido,
meu caderno de segredos,
com esta indecisão que apavora,
este ficar, este querer ir?
Com meus desejos apascentados, amornados pelo frio.
Molho os lábios com este liquido que corre pela calha,
Estou sedenta,
Mas permaneço trancada,
invernada,
Reclusa no meu castelo de areia,
Separada ao meio,
cortada como uma quilha que rasga o mar
Estou assim, Antártida.

