domingo, 16 de maio de 2010

Chuvas de mim



(Andréa Lima)



Aqui o dia está parcialmente nublado,

Com pancadas de chuva no decorrer do período

As poesias estão acinzentadas,

Sem endorfinas,

Desbotadas,

Sem política, estética, métrica, nada.

Queria escrever sol, mas soletro tem-pes-ta-des,

Pelo menos a água me lava,

Lavra-me de orvalhos,

Encharca as minhas fendas e abismos.

Hoje, dia 15 de maio não tem poema, não tem homenagem,

palestras, nem fantasia, nem fotografia.

E fico só com os livros, lápis colorido,

meu caderno de segredos,

com esta indecisão que apavora,

este ficar, este querer ir?

Com meus desejos apascentados, amornados pelo frio.

Molho os lábios com este liquido que corre pela calha,

Estou sedenta,

Mas permaneço trancada,

invernada,

Reclusa no meu castelo de areia,

Separada ao meio,

cortada como uma quilha que rasga o mar

Estou assim, Antártida.




(Flora Figueiredo)



Estou perdidamente emaranhada


em seus fios de delícias e doçuras.


Já não encontro o começo da meada,


não sei nem mesmo


se há uma ponta de saída,


ou se a loucura

vai num ritmo crescente

até subjugar a minha vida.

Não importa.

Quero seus nós de seda

cada vez mais cegos e apertados

a me costurar nas malhas e nos pêlos.

Enquanto você me amarra,

permanece atado

na própria trama redonda do novelo.