quarta-feira, 14 de setembro de 2016

“Coisas de Goiás...”
(Para Adri, Dani, Iva, Lan e Sil, num dia de sol em Goiás Velho)

Cora, doce, poema com cheiro de açúcar queimado,
com estrofes e melado,
fogão de lenha, roça, roseiras, rios de vermelhos infinitos...
Tudo se ajeita na tua casa,
na tua vida,
na tua humana poesia,
de conto, histórias antigas,
de coisas de Goiás, de gentes,
de Grampinhos, solitudes,
tachos de cobre, lampião,
de palavras, sabedoria, de tanto amor florindo
em nossos corações.
Aqui tem compota de emoção com pitadas de lágrimas,
Uma dulcíssima e generosa camada do néctar da esperança,
Mesclado com poemas escritos entre frutas colhidas do quintal...
Aqui tem doce de laranja,
braseiros, tigelas, lápis e inspiração rotineira,
cozinha, escrivaninha,
sopas de letrinha?
É vida com sabor que emana da terra,
sementes que germinam em livros,
que frutificam,
enraízam dentro da gente.
Cora, Coralina
Carpinteira de sonetos, florista e doceira da alma,
 teu nome sempre vai inspirar um recomeçar.
E é por aqui que eu recomeço...


(Andréa Lima)

terça-feira, 26 de julho de 2016

Cotidiano em redes...

Ela ouviu músicas
Falou sobre sexo, amor, erotismo, traição, ouviu Morricone e Otto
Tudo nesta desordem,
Pensou em suicídio e no gelo que acabou.
Deu uma pausa, lembrou dos amigos e fez suspense como se não existisse nenhum.
Ela sempre foi assim: apocalíptica...
Deu mais um gole, leu mais uma poesia de Borges, Florbela...
mudou a música,
pensou, argumentou, reviveu, transbordou de sentimentos bons e ruins
e foi despertando lembranças, cores, cirandas, lágrimas, fossos. 
Olhou-se no espelho e lembrou também que sempre detestou Branca de Neve
e sua ridícula pergunta narcisista.
Viu seu relógio,
tinha que ir para cama sozinha, enlatar desejos.
Quis ficar mais um pouco acordada.
Foi pro face e achou tudo bélico demais,
Foi pro WhatsApp e ficou muda. E num rompante xingou todo mundo pelo twitter
E para encerrar ainda gravou um vídeo do seu último escrito,
do seu último suspiro,  do seu insulso sorriso pro youtube
que desmanchou o seu último silêncio.  
O sono chegou e ela teve a singela e despretensiosa esperança de poder
ter um sonho bom...

(Andréa Lima)