(Andréa lima)
Para a pessoa amada,
Deixo o meu amor primaz, adolescente,
Enraizado.
Deixo o meu sorriso mais alegre, jocoso, infantil,
Deixo as plumas dos meus carnavais,
Deixo também a minha lágrima mais pungente,
A minha dor de amor perene, crônica,
Deixo a minha poesia, meus cadernos,
Meus segredos já etiquetados em caixinhas adornadas.
Deixo a minha caneta, o último gole, o último suspiro,
O epitáfio escolhido. Deixo o mundo, levo pouco.
Deixo chaves, trancas, sapatos, saltos pequenos, grandes,
ousados.
Deixo o relógio em que marquei o tempo,
Que pouco aproveitei e tanto desperdicei.
Assim deixo também o tédio,
Ah, deixo saudades, assim espero!
Deixo numa lata de biscoito cartas e bilhetes,
Meus devaneios e dentro do meu cofre meus medos.
Deixo fotos, CD´s, DVD´s e claro meus livros.
Deixo a minha estrela do mar,
Meu vestido de ondas e água-marinha.
Deixo minhas armaduras, armas de “Jorge”,
Meus sonhos, utopias, revoluções.
Deixo amigas, amigos, uma família que tanto amei,
Esta é a minha herança.
Deixo o trabalho, a cidade, a marcha em curso para
emancipação.
Deixo o lirismo, a música, o gozo, aquele beijo que não
esqueço,
Deixo a minha praia com seus barcos encantados.
E neste inventário vou me deixando também.
Já sinto alívio e pressinto que a chama da vela se apaga,
quase não há mais
palavra, mais movimento, vida,
agora,
mais nada...

Nenhum comentário:
Postar um comentário